FIRS – Forum Internacional de Resíduos Sólidos


7º Forum Internacional de Resíduos Sólidos

De 15-17 de junho de 2016 – Porto Alegre – RS

Acesse o site oficial: http://www.firs.institutoventuri.org.br

 

Aqui encontram-se informações sobre as edições passadas do Fórum Internacional de Resíduos Sólidos, por favor, clique nos links abaixo para navegar:

Relatório de Atividades do 6º Forum Internacional de Resíduos Sólidos em São José dos Campos, SP.

Contextualização

De 10 a 13 de junho de 2015 foi realizado o 6º Fórum Internacional de Resíduos Sólidos, no Parque Tecnológico, em São José dos Campos (SP), organizado pelo Instituto Venturi e a URBAM, visando difundir e aprofundar conhecimentos sobre consumo e produção sustentáveis, tecnologias para reciclagem, tratamento e disposição de resíduos sólidos, ferramentas e práticas para a gestão integrada de resíduos sólidos e divulgação de produção científica, fundamental para a inovação na busca de soluções para as questões socioambientais.

A 6ª edição do Forum Internacional de Resíduos Sólidos contou com a parceria das universidades UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mais especificamente a Escola Politécnica e seus vários cursos voltados para soluções ambientais e a Universidade de Brasília – UnB, por meio do Lacis – Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade, para a avaliação dos trabalhos científicos submetidos à Comissão Científica do 6FIRS.

A cerimônia de abertura contou com a presença do diretor-presidente da Urbanizadora Municipal de São José dos Campos, Boanesio Ribeiro, do ex-ministro da Ciência e Tecnologia e Diretor Geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos, Marco Antônio Raupp, da presidente do Instituto Venturi Para Estudos Ambientais, Arlinda Cézar, da Subprocuradora Geral da República, Sandra Cureau, do desembargador do Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Roberto Maia Filho, entre outras autoridades.

 

Resultados alcançados

Disseminação de informações visando o desenvolvimento sustentável;

Fortalecimento de Redes e Organizações Sociais;

Fortalecimento das Organizações Ambientais e de suas redes;

Promoção de produção científica;

Divulgação de experiências e tecnologias desenvolvidas no Brasil e em outros países para a recuperação de materiais e energia;

Promoção de um espaço onde as diversas partes interessadas da cadeia de gerenciamento de resíduos sólidos puderam fomentar seus projetos e estabelecer novos negócios.

 

Atividades

 

Pré-forum

Nos dias 8 e 9 foi oferecido o curso Making right Choices: A Framework for Sustainable Assessment of Technology (SAT), ministrado por Mr. Surya Prakash Chandak, ex-diretor e consultor sênior do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

O curso, ministrado em inglês, foi dividido em duas partes. Na Parte I, o conceito e a metodologia do SAT foram apresentados e demonstrados através de um exercício em grupo na Parte II. A metodologia SAT pode ser aplicada a uma variedade de situações – gestão de águas residuais, gestão da biodiversidade, programas de reciclagem, recuperação de terras e assim por diante. Ele se baseia em uma série de ferramentas e técnicas para facilitar o processo de avaliação. Essas ferramentas incluem informações de benchmarking conduzido, opiniões de especialistas e avaliação participativa por partes interessadas. Dependendo do nível de avaliação, a metodologia SAT usa essas ferramentas em combinação umas com as outras e a diferentes graus.

As vagas foram abertas ao público e preenchidas por profissionais em posição-chave nos governos, empresas privadas e professores universitários, para a replicação dos conhecimentos adquiridos.

Forum

O Forum transcorreu com uma sucessão de painéis, experiências, e apresentações de trabalhos, tendo sido estes previamente analisados por uma comissão científica, coordenada pelo professor Carlos Alberto Mendes Moraes, Dr (Unisinos).

 

1º Dia – 10/06 – quarta-feira

Após a saudação aos participantes e a citação do patrocinador e apoiadores, as atividades foram iniciadas com a palestra de do Dr. Marco Antonio Raupp – ex-Ministro da Ciência e Tecnologia e Diretor Geral do Parque Tecnológico de São José dos Campos e em seguida o Dr. Sérgio Pessôa Ribeiro, coordenador do painel “Cenário atual e implicações legais da Política Nacional de Resíduos Sólidos“, chamou à mesa os painelista e fez explanação inicial, introduzindo o tema para o público.

 

 

Dr. Roberto Maia Filho falou sobre a responsabilidade civil do gestor público no atendimento à lei 12.305/10. Uma detalhada e esclaredora exposição sobre o que é responsabilidade, quais os seus tipos e em que esfera o infrator pode ser julgado, apontando também a diferença entre responsabilidade objetiva e subjetiva. Conclui afirmando que “o problema dos resíduos sólidos é grave, merece toda nossa atenção e cuidado e é hora de agir com rigor”.

A Sub-procuradora Geral da República, Dra. Sandra Cureau, falou da atuação do ministério público no tocante aos resíduos sólidos, apontando a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos como a grande inovação trazida pela lei e enfatizando que “não há sanções administrativas específicas para o descumprimento das obrigações contidas no art. 31 da Lei da PNRS (reutilização, reciclagem, geração da menor quantidade de resíduos, etc). A lei remete, simplesmente, às sanções da Lei dos Crimes Ambientais”. Entende que a logística reversa é um dever que não depende de acordo ou de termo de compromisso específico e em suas considerações sobre o que traz a lei 12.305/10 sobre esse assunto ressaltou que: “a redação é muito vaga e pode acarretar a não efetividade (“todas as medidas necessárias”); não há previsão de como e quando devem ser implantados tais procedimentos; o regulamento, por sua vez, atrelou a implementação das “medidas” a um instrumento específico que determine sua adoção”.

 

Foram apresentados ainda neste painel, soluções de monitoramento de áreas de disposição irregular de resíduos, pelo eng. aeroespacial, Adriano Dantas, que demonstrou que a ALTAVE VANGUARDA é uma família de soluções completas baseada em sistemas aerostáticos para uso tático. Os sistemas podem ser equipados com câmeras para monitoramento e filmagens de áreas grandes e remotas, podendo ser utilizado para flagrantes de despejo de “lixo” em terrenos baldios e consequente aplicação de multas pelos órgãos ambientais municipais.

 

Já Luciana Freitas, da BVRio e vice-presidente do Observatório da Política Nacional de Resíduos Sólidos, apresentou a missão deste que é criar condições para que a sociedade civil possa monitorar a implementação da PNRS, promovendo transparência aos resultados obtidos e também assegurando que seus princípios, diretrizes, objetivos e metas sejam cumpridos.

No segundo painel do dia, “Desafios e oportunidades dos municípios brasileiros na implementação da PNRS”, o presidente do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo, Ariovaldo Caodaglio, e o vice-presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública, Clóvis Benvenuto, discorreram sobre o que os gestores públicos municipais devem fazer para se adequar à PNRS e transformar os seus municípios em um modelo de gestão sustentável. A necessidade de ação dos prefeitos quanto à implementação dos planos de gestão integrada de resíduos sólidos. Como arcar com os custos da adequação para cumprimento das metas estabelecidas na PNRS. Quais os obstáculos para erradicação dos lixões. Cobrança pelos serviços de limpeza prestados e melhores práticas.

Os dois painelistas foram unânimes em afirmar o grande desafio está na implementação do saneamento básico e as oportunidades estão em melhorar os serviços do saneamento “sólido”, promover a educação ambiental e refletir sobre a responsabilidade e a participação social. Algumas sugestões foram debatidas quanto à responsabilidade dos municípios na implantação efetiva da PNRS: buscar parcerias, soluções e recursos financeiros, erradicar os lixões, tratamento de resíduos e sua valorização, desenvolver aterros sanitários ou utilizá-los, educação sanitária e ambiental –campanhas/escolas, gestão participativa com engajamento, responsabilidade e participação social.

Com relação aos obstáculos para erradicação dos lixões e cobrança pelos serviços de limpeza prestados pelo município, Benvenuto afirma que além de recursos financeiros limitados, a estrutura técnica e jurídica deficiente das prefeituras são os grandes entraves. Ele conclui “pagamos pela água e esgoto…falta arcar com os resíduos para termos um serviço de qualidade. para isto precisa de uma renda adequada para a população, pois a miséria é irmã da poluição“.

Já no painel “Desafios e oportunidades da Logística Reversa como Instrumento da Política de Resíduos Sólidos“, a Dra. Zilda Veloso, diretora do Departamento de Ambiente Urbano (DAU) do Ministério do Meio Ambiente, apresentou os avanços dos acordos setoriais para a logística reversas dos resíduos elencados como obrigatórios pela Lei 12.305/10 – embalagens de óleo lubrificantes, cuja assinatura foi em 19/08/2012, está aguardando entrega do 2º relatório anual de monitoramento; lâmpadas, acordo já assinado desde 27/11/2014 e publicado no dou em 12/03/2015; embalagens em geral, as sugestões estão sendo analisadas técnica e juridicamente e uma nova versão será encaminhada aos proponentes; eletro eletrônicos, está em negociação com os proponentes para adequação do acordo aos requisitos do edital e da lei; medicamentos, está aguardando manifestação do setor proponente para levar proposta de encaminhamento ao CORI (Comitê Orientador).

 

Segundo ela, os SETE aspectos críticos da PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos são:a erradicação dos lixões conforme o art. 54 da lei 12.305; o sistema de planejamento de resíduos sólidos: o PNRS – Plano Nacional de Resíduos Sólidos, os PERS – Planos Estaduais de Resíduos Sólidos, os PMGIRS – Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, os PGRS – Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, e suas articulações; a integração e o nivelamento do desempenho da União, Estados e Municípios; a implantação da coleta seletiva, reciclagem e dos sistemas de logística reversa; a incineração dos rejeitos; o financiamento e demais medidas econômicas de suporte à implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos; produção e consumo sustentáveis”.

 

Já o representante da ABINEE, Fabricio Soler, discorreu sobre a responsabilidade pós-consumo de cada elo da cadeia – setor empresarial, prefeitura municipal, consumidor – deixando claro que os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes ficam responsáveis pela realização da logística reversa no limite da proporção dos produtos que colocarem no mercado interno, conforme metas progressivas, intermediárias e finais, estabelecidas no instrumento que determinar a implementação da logística reversa.

 

Fabrício Soler destacou os principais desafios da logística reversa, segundo sua avaliação: “Criação de Entidades Gestoras com sistema de governança e Câmara de Controle e Registro; Eventual participação de prefeituras municipais em sistemas de logística reversa; Participação pecuniária do consumidor para custeio da logística reversa, destacada do preço do produto e isenta de tributação (visible fee e ecovalor); Envolvimento vinculante de todos os atores do ciclo de vida dos produtos eletroeletrônicos não signatários do acordo setorial – isonomia; O reconhecimento da não periculosidade dos produtos eletroeletrônicos pós-consumo descartados; Criação de documento autodeclaratório de transporte com validade em território nacional, de forma a documentar a natureza e origem da carga; e Reconhecimento de que o descarte no sistema de logística reversa dos produtos eletroeletrônicos implica a perda da propriedade.

 

Também, ele destacou a importância de alternativas para incentivo tributário, como por exemplo: desoneração completa dos tributos indiretos incidentes sobre os resíduos sólidos nas cadeias de logística reversa (coleta, recuperação e reciclagem); medidas voltadas a reduzir o custo para os setores com logística reversa onerosa; Incentivo direto ao investimento e financiamento do custeio da logística reversa para cooperativas.

 

2º Dia – 11/06 – quinta-feira

 

Iniciando os trabalhos do dia, a Profa. Arlinda Cézar, presidente do Instituto Venturi, introduziu o painel Produção Mais Limpa como instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos”, com as importantes participações de Mr. Surya Prakash Chandak, da Índia, e do Prof. Asher Kirperstok, da Universidade Federal do Sul da Bahia – UFSB, os quais discorreram sobre os benefícios ambientais e econômicos como resultado da aplicação da metodologia P+L nas empresas públicas e privadas.

 

Mr. Surya Chandak destacou na sua apresentação “Produção Mais Limpa e Política Nacional de Gestão de Resíduos Sólidos: Amigos ou Inimigos?” que P+L – Produção Mais Limpa requer mudança de atitudes, exercício de uma gestão ambiental responsável e, ainda, avaliação das opções de tecnologias. Fez clara explanação sobre a diferença entre os conceitos de gestão de resíduos sólidos no século 20 (Como nós nos livramos dos nossos resíduos eficientemente com danos mínimos para a saúde pública e ao meio ambiente?) e 21 (Como lidamos com nossos recursos descartados de maneira a não privar as futuras gerações de alguns, se não da totalidade, do seu valor?). Em conclusão ele coloca que “Produção Mais Limpa é uma excelente ferramenta para implementação da política de gestão de resíduos sólidos. Na verdade, é um pré-requisito. Implementação de princípios e práticas da Produção Mais Limpa reduz não só a quantidade de resíduos que precisa ser tratada, mais importante, que introduz uma cultura em que os resíduos não são olhados como um problema mas como uma oportunidade“.

 

Na outra ponta, o Prof. Asher Kiperstok, um dos expoentes no uso da metodologia P+L e Fator 10, no Brasil, fez duras observações quanto ao conceito “Gestão de resíduos ou gestão de materiais?” Deixou claro que em termos de desempenho ambiental não estamos melhorando, provavelmente pela falta de um norte bem definido (onde queremos chegar). Segundo ele, “o que não se mede, não se controla”. Apontando para o perigo do “greenwashing” que distorce a informação sobre sustentabilidade e ciclo de vida do produto, levando o consumidor a fazer escolhas inapropriadas do ponto de vista da ecoeficiência. Ele trouxe ainda para reflexão e inquietação dos participantes, um estudo de caso sobre a urina humana, que aponta que caso seja possível o seu total aproveitamento, seriam economizados 74,5 kWh/ano de energia por pessoa. E concluiu com a adaptação de um provérbio chinês “antes de começar o trabalho de modificar o mundo, dê três voltas no seu banheiro“.

 

A tecnologia permitiu que o professor Luis Tarelho, da universidade de Aveiro, Portugal, participasse do painel via videoconferência. Ele trouxe informações das suas pesquisas sobre valorização energética de resíduos florestais em Portugal e gestão e valorização de cinzas.

 

No segundo painel do dia “Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Indicadores de Sustentabilidade”, o prof. Dr. João Bosco Ladislau de Andrade – Professor da Universidade Federal do Amazonas, Dra. Lúcia Helena da Silva Maciel Xavier –Pesquisadora Adjunta na Coordenação de Estudos Ambientais da Fundação Joaquim Nabuco (CGEA/FUNDAJ) e Engª. Lilian Sarrouf – Coordenadora técnica do COMASP – Comitê de Meio Ambiente do SINDUSCON-SP, discorreram sobre Indicadores de Sustentabilidade Aplicáveis à Gestão e Políticas Públicas para os Resíduos Sólidos Industriais, cenário atual da reciclagem de equipamento eletroeletrônico no Brasil e as atividades econômicas para recuperação das riquezas minerais destes resíduos e sistema de gerenciamento online de resíduos da construção civil.

 

O prof. Dr. João Bosco apresentou um modelo com indicadores de sustentabilidade capaz de ser instrumento que, considerando as diversidades locais, contribua para a gestão, bem como auxilie nas tomadas de decisões e na formulação de políticas públicas voltadas aos RSIs – Resíduos Sólidos Industriais. Uma contribuição com foco no Polo Industrial de Manaus. Em conclusão ele afirma que “o modelo é útil pois: (i) concilia interesses; (ii) amplia o espaço para o atendimento de novas expectativas; (iii) há flexibilidade na sua utilização; (iv) envolve efetivamente todos os responsáveis pelos RSIs.

 

A Dra. Lúcia Xavier falou sobre Mineração Urbana no Brasil. Informou que 50% das exportações de EEE – Equipamento Eletroeletrônico segue para países latinoamericanos (~15% para a Argentina), que cerca de 60% dos EEE são componentes e equipamentos industriais, que as exportações somam 10% do faturamento da indústria no segmento – valor observado anualmente no último quinquênio e que há tendência de aumento da importação. Anualmente, o Brasil produz cerca de 100 mil toneladas de “lixo eletrônico” e o processamento de metais é feito no exterior. Segundo ela, “será possível fazer reciclagem de 250 toneladas por mês de plástico, o que representa 45% dos aparelhos celulares, um dos eletrônicos mais abundantes (quase 250 milhões de unidades no país) e de vida útil mais reduzida (22 meses, em média)”.

No painel “Reciclagem e Recuperação de materiais e Energia”, Mr. Kumanduri Ranga Chari, do Birla Institute of Management Technology, Índia, demonstrou como é possível a sustentabilidade através da utilização de resíduos. Apresentou várias tecnologias de conversão de resíduos plásticos em pavimento, tijolos e revestimento, desenvolvidas no Instituto. Segundo ele, resíduo é: “a ignorância de utilidade, a ignorância das características, a ignorância dos pontos fortes e positivos, um recurso extraviado, a beleza está nos olhos de quem a vê”.

 

Mr. Chari concluiu afirmando que há que se criar uma configuração mental e começar a considerar que, em princípio, não há nada chamado um resíduo, e que todos os resíduos são, na verdade, um recurso equivocadamente posto de uma forma diferente. Qualquer coisa que não podemos usar para um fim produtivo é denominado como resíduo. Há uma necessidade de mudar a nossa perspectiva.

 

A solução para esta situação pode ser encontrada através do desenvolvimento de uma atitude de curiosidade. Curiosidade em conhecer as características básicas de qualquer resíduo e, em seguida, descobrir os caminhos necessários para reintrodução do resíduo no ciclo produtivo, considerando tais características.

3º Dia – 12/06 – sexta-feira


No painel “Quando um planeta não é suficiente o que fazer para equacionar as implicações do déficit ecológico?”
A Profª Drª Naná mininni Medina, diretora do Instituto Venturi Para Estudos Ambientais e a Profª Drª Izabel Bacellar Zaneti, professora da Universidade de Brasília, levaram os participantes a refletir sobre a (in)sustentabilidade humana nas cidades e, consequentemente, sobre problemas como: exacerbação dos problemas ambientais e humanos; fenômenos contraditórios da Globalização versus Individualismo; debilidade dos valores humanos tradicionais Versus Sociedade de Consumo; Insatisfação pessoal permanente versus solidão das pessoas e das sociedades; perda da esperança, nos modelos capitalista e socialista Versus a inovação e o empreendedorismo na construção de novas alternativas, econômicas e políticas.

 

Segundo, a Profª Naná, apesar da dificuldade de construção dos novos modelos educativos, há uma grande necessidade de se reformular a educação para satisfazer as novas exigências sociais. Complementou dizendo que “a Educação Ambiental enfrenta hoje, o desafio e a possibilidade, de contribuir em seus âmbitos de atuação, potenciais importantes, para ajudar a desencadear as transformações sociais imprescindíveis, para converter a convivência humana globalizada, em uma convivência orientada pelos valores da solidariedade, equidade e paz internacional e o respeito a todas as formas de vida e organização social e cultural.

 

Já a Profª Izabel Zaneti, colocou que “a sustentabilidade está além das dimensões ambiental, econômica e social, sobretudo em relação a vida humana”. Apresentou as ações de sustentabilidade da UnB, afirmando que a Sustentabilidade Humana é um objetivo a ser alcançado e que a Educação Ambiental é o principal instrumento para uma mudança de paradigma, necessária para estabelecermos um modelo de desenvolvimento econômico orientado pela produção e consumo sustentáveis.

 

Encerrando os trabalhos da manhã, Luis Salvatore, diretor do Instituto Brasil Solidário – IBS, apresentou o modelo LEVE de coleta e transporte de resíduos recicláveis que consolida a escola como ponto de entrega de material reciclável oriundos da própria instituição e da comunidade, transformando alunos e educadores em agentes da multiplicação e da conscientização para o sistema de separação e coleta seletiva de resíduos.

 

Segundo Luis Salvatore, o projeto LEVE “é uma tecnologia socioambiental, replicável, que busca unir educação ambiental nas escolas com a prática da coleta seletiva municipal, transformando os estudantes e educadores em protagonistas da coleta de material reciclável”. Cada aluno tem assim a oportunidade de vivenciar e defender, junto aos seus amigos e familiares, os princípios ambientais que aprende nas aulas, identificando e depositando na escola os materiais recicláveis. Além do aprendizado ambiental, há o aspecto de solidariedade econômica: a participação gera retorno de 20% do valor coletado pela escola.

 

Ele conclui com a constatação de que “meio ambiente não é disciplina, é postura diária, que os resultados verdadeiros e transformadores acontecem quando as ações são incorporadas na rotina pessoal e, em paralelo, nos eventos e culminâncias, que o grande desafio é colocar o meio ambiente dentro das rotinas dos temas formais, como a língua portuguesa, a matemática, a história e outras, mas, que todos do ambiente são responsáveis, e a escola é o meio

 

Jornada Científica

Coordenada pelo Prof. Dr. Carlos Moraes, a parte final do terceiro dia do 6FIRS foi dedicada a atividades de caráter acadêmico. Uma seleção entre os trabalhos científicos publicados nos Anais do 6FIRS foram exibidos no espaço do Forum sob a forma de pôsteres, enquanto que quatro deles foram indicados para apresentação oral.

Os trabalhos selecionados para apresentação oral foram: AVALIAÇÃO DE ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA SUBSTITUIÇÃO DA GRAXA À BASE DE ÓLEO MINERAL POR TECIDO DE FIBRA DE VIDRO COM TEFLON® COMO DESMOLDANTE NO PROCESSO DE DUBLAGEM (autores: Carline Fabiane Stalter, Carlos Alberto Mendes Moraes); CARACTERIZAÇÃO DO RESÍDUO INDUSTRIAL CASCA DE ARROZ COM VISTAS A SUA UTILIZAÇÃO COMO BIOMASSA (autores: Iara J. Fernandes, Emanuele C. A. Dos Santos, Roxane Oliveira, Janaína M. Reis, Daiane Calheiro, Carlos A. M. Moraes, Regina C. E. Modolo); DIREITO AMBIENTAL: A GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS E RESPONSABILIDADE AMBIENTAL (autores: Simone Paschoal Nogueira, Iris Zimmer Manor); ESTIMATIVA DA GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS (GRSU) NA MESORREGIÃO OESTE DO PARANÁ – 2005 – 2015 (autores: Tatiani Sobrinho Del Bianco, Ricardo Rippel, Camilo Freddy Mendoza Morejon).

 

4º Dia – 13/06 – sábado

Apesar de previstas para este dia, as visitas técnicas à Central de Tratamento de Resíduos da Urbam, por solicitação de muitos participantes, o Lixo Tour, como foi chamada essa atividade, foi oferecido também nos dias 10, 11 e 12 no horário do almoço, bastando os interessados inscreverem-se diariamente na secretaria do evento.

Eventos Simultâneos


1) Encontro de Prefeitos

“Resíduos Sólidos – oportunidades e desafios para os municípios” foi tema do evento simultâneo ao 6º Fórum Internacional de Resíduos Sólidos, realizado no dia 10 de junho/15, no Parque Tecnológico, em São José dos Campos.

O evento simultâneo para os prefeitos e gestores destacou soluções consorciadas para o gerenciamento de resíduos como alternativas para os municípios. Uma oportunidade para os municípios da Região Metropolitana do Vale do Paraíba.

Zilda Maria Faria Veloso – Diretora do Departamento de Ambiente Urbano (DAU) do Ministério do Meio Ambiente, abordou o tema “Oportunidades geradas aos municípios com a implantação da Logística Reversa como instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos”. Ela citou os acordos de Logística Reversa já firmados e também em andamento em vários setores da indústria como: embalagens, pneus, óleo lubrificante, lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias, eletroeletrônicos, medicamentos e outros.

Luiz José Pedrette – diretor vice-presidente da Emplasa – Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A, falou sobre “Solução integrada para a execução dos serviços públicos de resíduos sólidos: governança metropolitana”. Ele explicou que o interesse da região prevalece sobre o municipal. “No recorte regional, o município não pode dizer que não vai participar das ações consorciadas. A questão do saneamento básico e dos resíduos é de interesse comum e prevalece sobre o município.”

Fabrício Dorado Soler – especialista em sustentabilidade – responsável pelo Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Felsberg Advogados e Associados, falou sobre as Implicações jurídicas do Plano Nacional de Resíduos Sólidos para as Prefeituras.

 

2) Intercâmbio de Práticas e Ferramentas de Gestão em Organizações de Catadores

 

O evento Intercâmbio de Práticas e Ferramentas de Gestão em Organizações de Catadores, realizado nos dia 11 e 12 de junho, revelou-se extremamente frutífero, em virtude de seu recorte bem objetivo.

 

Sua estrutura de apresentação iniciou com a apresentação do IBAM falando de sua expertise em administração municipal, privilegiando o tema proposto e traçando um panorama das questões pertinentes à implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

 

Em seguida o ITEP apresentou um projeto Recicla Pernambuco, com inclusão de catador, e que envolve apenas cidades pequenas do interior de Pernambuco, ressaltando o tema de relações institucionais, proposto pela organização do evento.

 

Na sequência foram feitas duas apresentações tratando da coleta seletiva integrando catadores, nas cidades de Porto Alegre (RS) e em Crateús (CE), casos distintos, mas ambos os casos retratam que com vontade política será possível implementar a Política Nacional de Resíduos Sólidos no país, no que toca a coleta seletiva com inclusão de catadores.

 

No dia seguinte houve a apresentação do caso de coleta seletiva também no interior da Paraíba, concluindo a programação do dia anterior, em virtude do alongamento dos debates previstos no âmbito da proposta do evento.

 

Começando a programação do dia houve uma breve apresentação sobre a sustentabilidade na gestão de resíduos, pela Doutoranda Alessandra Hernandes da UNISINOS – RS.

 

Entrando propriamente no tema de gestão de cooperativas, foram apresentadas duas ferramentas de gestão de produção: o “Recicladados”, um projeto fomentado pelo RIPER/UFRJ, sob a forma de software livre para gestão de produção em cooperativas e a outra apresentação foi sobre a importância de um layout de produção em cooperativas de catadores, como instrumento de incremento da produção, apresentado pela ONG Gaia Social em parceria com a SOS Sustentabilidade, trazendo o case da cidade de Itatiba (SP).

 

O tema gestão administrativa foi abordado pela Rede Copersoli de Minas Gerais que apresentou um panorama dos avanços obtidos em virtude de decisões administrativas, mais um caso de sucesso no setor. A ONG Gaia Social apresentou outro tema, a constituição de uma rede de comercialização na cidade de São Paulo e seus enormes desafios.

 

Encerrando o evento, a Rede Resíduos apresentou sua ferramenta virtual de comercialização e a BVRio tratou da plataforma eletrônica de créditos de logística reversa para remuneração de cooperativas pelos serviços prestados de logística reversa pelas cooperativa às indústrias.

 

O evento, devido ao seu formato, com recorte bem segmentado e o espaço aberto para a troca de informações, revelou-se extremamente bem sucedido, aproximando de forma espontânea o público presente dos apresentadores.

 

É importante ressaltar que, em virtude deste resultado tão frutífero, ficou acordado entre vários presentes o propósito de levar o evento para outras cidades do país.

 

3) Encontro de cooperativas de Catadores

 

Dia 11 de Junho de 2015, das 8 até as 18 horas, no auditório 3 do Parque Tecnológico encontraram-se cooperativas, sob a coordenação do Sindicato das Cooperativas de Produção do Estado de São Paulo, para discutir assuntos de interesse, conforme relatório sintético anexo.

Após as apresentações foi composta a mesa, com a presença do Vereador Rogério Cyborg, de São José dos Campos e iniciadas as perguntas e contribuições. Foram debatidos vários temas e definiu-se uma agenda para visitas das lideranças das cooperativas presentes à Camara Municipal, e criação de um grupo de trabalho para articular ações junto ao executivo e legislativo municipal.

Os debates foram acalorados e definiu-se uma parceria entre as cooperativas e o Movimento Vale Empreende (MVE) para aplicação e prospecção de tecnologias para reciclagem e valorização dos resíduos, por meio do beneficiamento e novas aplicações.

 

Pontos fortes e aspectos de melhoria do evento:

 

Os pontos fortes foram o alto nível das palestras e palestrantes, bem como a oportunidade de reflexão, trocas e aprendizagem sobre o tema, refletidos no interesse em replicar um extrato do evento em outras cidades e no Uruguai.

 

É importante ressaltar que, pela primeira vez o evento saiu do Rio Grande do Sul e, se por um lado representou um desafio para os organizadores, para os participantes ele foi uma grande oportunidade para a troca de experiências e para a formação de parcerias e alianças.

 

Com o objetivo de aprimorar as ações que resultaram no evento 6º FIRS, algumas considerações foram traçadas por membros da comissão organizadora, que serão consideradas para a próxima edição:

  1. Dispersar as apresentações dos Trabalhos Acadêmicos entre as atividades do dia, evitando concentrá-las ao final do evento. Uma sugestão seria programar, por turno, uma grade salteada, composta sempre de conteúdos teóricos, conteúdos práticos ou cases e apresentação de dois trabalhos;
  2. Procurar distribuir “eventos simultâneos” dentro da grade da programação geral, e proporcionando a estes a chance de acompanharem todo o evento;
  3. Deixar a organização/condução do evento para uma equipe/empresa desta área, que possui know-how específico para este tipo de atividade, evitando diluir participações de pessoas chaves por acúmulo de funções;
  4. Alavancar a maior captação de recursos, prevendo os períodos/prazos de lançamento dos diferentes itens do enxoval de divulgação de forma a compor uma percepção continuada, prolongada e eficiente, marcando efetivamente a pré-realização do evento;
  5. Fomentar o desenvolvimento dos trabalhos a partir do encerramento do evento anterior, gerando maior tempo hábil para avaliação e julgamento de todas as propostas;
  6. Apoiar o controle do evento sobre plataformas e softwares de uso geral, evitando tecnologias proprietárias que “engessam” ou até inviabilizam certos procedimentos necessários;
  7. Enfatizar a alternância entre eventos teóricos e eventos práticos;
  8. Manter a acomodação de vários convidados participantes num mesmo local/hotel facilitou os deslocamentos do conjunto, evitando maiores preocupações com a presença de todos;
  9. Manutenção dos critérios atualmente adotados para identificação prévia do local escolhido para sede do evento quanto às condições para a realização do mesmo, incluindo o fornecimento de infraestrutura técnica e outros suportes necessários;
  10. Para a produção de peças de divulgação relativas ao evento, identificar prazos e responsáveis. Caso não sejam cumpridos, reencaminhar a produção para fornecedores alternativos, retomando a gestão destas ações.

 

Dificuldades enfrentadas durante a execução do projeto:
A maior dificuldade foi na identificação de fornecedores locais para produção dos materiais com tecido de PET pós-consumo ou outro substrato apoiado no tripé da sustentabilidade.

A não existência de um aeroporto em funcionamento na cidade de São José dos Campos, resultou em alguns inconvenientes.

Também, os recursos financeiros limitados em função da retração de alguns habituais patrocinadores, decorrente da atual conjuntura econômica que o país apresenta.

 

Número de participantes:
O público total foi computado em 216 participantes.
Como já esperado, o público foi bastante heterogêneo, uma vez que resíduos sólidos é um assunto que diz respeito a toda população, independentemente, do seu nicho social. Gestores públicos, empresários, consultores, catadores de material reciclável, universitários, pesquisadores, professores, os interessados em atuar na área ambiental sob a ótica de seus aspectos científicos e legais, como advogados, engenheiros, geólogos, químicos, biólogos, administradores, jornalistas.

Relatório de Atividades do 5º Forum Internacional de Resíduos Sólidos em São Leopoldo, RS.

Contextualização

No período de 3 a 5 de junho de 2014 foi realizado o 5º Fórum Internacional de Resíduos Sólidos, no auditório central da UNISINOS – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo (RS), visando difundir e aprofundar conhecimentos na área de tecnologias para reciclagem, tratamento e disposição de resíduos sólidos e divulgação de produção científica, fundamental para a inovação na busca de soluções para as questões socioambientais.

A 5ª edição do Forum Internacional de Resíduos Sólidos consolida uma parceria iniciada em 2013 juntando o Instituto Venturi, organizador do Fórum, e responsável por uma série de ações focadas na gestão e educação ambiental descentralizada, com as universidades UNISINOS, mais especificamente a Escola Politécnica e seus vários cursos voltados para soluções ambientais e a Universidade de Brasília – UnB, por meio do Lacis – Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade.

Com essa parceria nasce também o entendimento da necessidade de transformar o FIRS, que até então, era realizado apenas nos anos ímpares, em um evento anual.

Conclui-se, assim, que o novo formato do FIRS terá, sucessivamente, em um ano uma edição realizada dentro da Academia, e no outro ano,

promovendo o intercâmbio entre a produção científica e investidores públicos e privados no intuito de motivar o surgimento de novas empresas de base tecnológica para soluções do mercado de reciclagem.

Nesse contexto, o 5º Forum Internacional de Resíduos Sólidos inicia um novo ciclo, cujas edições anteriores foram em 2007, 2009, 2011 e 2013, já consolidado como o mais importante evento técnico e científico nacional a tratar da questão dos resíduos sólidos. Manteve nesta sua quinta edição o mesmo nível de excelência das edições anteriores.

Além de recursos próprios, para a cobertura dos custos o 5FIRS contou com o Patrocínio da Petrobras; Co-Patrocínio do BRDE; Apoio Institucional do Instituto Brasil Solidário, da Rede Resíduo, da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, do Banco de Resíduos, da Dype, da Grafiset e da 9DEA Produto Sinalização.

Atividades

O Forum transcorreu com uma sucessão de painéis, experiências, e apresentações de trabalhos, tendo sido estes previamente analisados por uma comissão científica composta pelos professores: Ana Cristina de Almeida Garcia, Ms (Unisinos); Amanda Gonçalves Kieling, Ms (Unisinos); Andrea Parisi Kern, Dra (Unisinos); Carlos Alberto Mendes Moraes, Dr (Unisinos); Feliciane Andrade Brehm, Dra (Unisinos); Gelson Fiorentin, Ms (Unisinos); Katia Broeto Miller Ms (UnB); Lúcia Helena Xavier, Dra (Fundaj/MEC); Luciana de Paulo Gomes, Dra (Unisinos); Maria Vitória Ferrari Tomé, Dra (UnB); Nana Mininni Medina, Dra (Instituto Venturi); Patrícia Guarnieri, Dra (UnB).

1º Dia – 03/06 – terça-feira

Após a saudação aos participantes e a citação do patrocinador, co-patrocinador e apoiadores, as atividades foram iniciadas com a apresentação da experiência do município de Crateús

A parte final do primeiro dia do 5FIRS foi dedicada a atividades de caráter acadêmico. Parte dos trabalhos científicos publicados nos Anais do 5FIRS foi exibida no espaço do Forum sob a forma de pôsteres, enquanto que quatro trabalhos foram selecionados para apresentação oral.

A mesa para apresentação oral dos trabalhos foi composta pelos professores Dr. Carlos Moraes, Dra. Luciana de Paulo Gomes e Dra. Nana Minnini Medina.

Os trabalhos selecionados para apresentação oral foram:

2º Dia – 04/06 – quarta-feira

O Brasil precisa urgentemente consolidar a sua própria política de gestão de resíduos sólidos no sentido de que estes excedentes evoluam conceitualmente como materiais de alto valor agregado, seja para voltarem aos processos de origem, seja para se recuperar valor em termos dos materiais neles embutidos, seja na sua adição ou substituição de recursos naturais não renováveis em diversos produtos industriais, assim como na sua aplicação como biomassa para geração de energia.

3º Dia – 05/06 – quinta-feira

A quinta edição do FIRS teve como objetivo difundir e aprofundar conhecimentos nas áreas de tecnologias para reciclagem, tratamento e disposição de resíduos e aconteceu na Semana do Meio Ambiente no campus da UNISINOS, em São Leopoldo/RS, visando contribuir com as políticas públicas que buscam o desenvolvimento sustentável.

o Instituto Venturi para Estudos Ambientais e a Universidade do Vale do Rio dos Sinos, com o apoio acadêmico da Universidade de Brasília, promoveram

Ações de sustentabilidade

O Forum Internacional de Resíduos Sólidos desde a sua primeira edição é uma referência no Brasil no uso sustentável dos recursos naturais. As ações de sustentabilidade são uma prática inerente ao planejamento deste evento, que é realizado 100% com material reciclado e/ou reutilizável, desde a sua montagem até o material gráfico que é utilizado para divulgação e no próprio local do evento, conforme critérios descritos abaixo.

MATERIAIS EM TECIDO PET PÓS-CONSUMO, DESENVOLVIDO A PARTIR DE GARRAFAS PET RECICLADAS:

MALHA PET – 160g/m2 – cada m2 recicla 04 garrafas PET

ECO SUMMER PET – 150g/m2 – cada m2 recicla 04 garrafas PET

ECO PET SUPER – 160g/m2 – cada m2 recicla 04 garrafas PET

LONA PET – 220g/m2 – cada m2 recicla 06 garrafas PET

A partir do layout e dos usos previstos para cada peça de comunicação visual do evento que se utilizam deste substrato, é usado o tecido mais adequado.

A opção por este substrato se deu pelo conceito de reciclagem envolvido, apoiado no tripé da sustentabilidade, gerando retorno econômico, tanto na compra dos insumos para sua produção quanto na geração de renda a partir de sua nova comercialização, retorno social através do envolvimento das comunidades na triagem dos resíduos (sem exploração humana) e no seu reprocessamento, e no baixo impacto ambiental, com a retirada e o reprocessamento de resíduos de descarte pós-uso do meio ambiente.

IMPRESSÃO COM PROCESSOS ECO-ORIENTADOS:

IMPRESSÃO COM TINTAS DE CURA UV: utiliza fonte de emissão de radiação ultravioleta para acelerar a cura dos pigmentos dispersos sobre o substrato a partir de impressoras específicas. Neste processo, a ausência de VOCs durante o processo de cura pós-execução qualifica o entorno imediato ambientalmente.

IMPRESSÃO POR SUBLIMAÇÃO COM TINTAS DE BASE D’AGUA: esta é uma segunda opção de sistema de impressão, onde o padrões a serem reproduzidos são depositado sobre uma lâmina de papel, com tintas de base aquosa, sendo posteriormente, num contato direto e com o emprego de fonte de calor, transferidos deste para o substrato do tecido, utilizando o fenômeno físico da sublimação (passagem de uma substancia do estado sólido para vapor sem adquirir o estado líquido). A cura se dá imediatamente, após o esfriamento do tecido. Este processo também não gera emissão de VOCs depois de produzido, evitando a contaminação ambiental.

IMPRESSÃO COM TINTAS DE BASE LÁTEX: esta terceira opção se utiliza de tintas com base látex, de baixíssimos níveis de VOCs, produzindo impressões que saem curadas imediatamente a sua saída da impressora, por fontes calor embutidas no próprio equipamento, sem cheiro, com cores vibrantes e permitindo a trabalhabilidade do material impresso logo em seguida que são disponibilizados.

MATERIAIS EM QUE SÃO UTILIZADOS ESTES PROCESSOS:

  • banners autoportantes;
  • fundo de palco;
  • ambientações.

Além dos critérios descritos acima, listamos outras iniciativas ambiental e socialmente orientadas:

  • O uso de descartáveis não é permitido no serviço de café e água;
  • O material gráfico é impresso em papel reciclado e a empresa gráfica deve ter sistema de gestão ambiental implantado;
  • As sacolas são confeccionadas por costureiras da comunidade carente apoiadas pelo Banco do Vestuário da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais, a partir do passivo ambiental de banners dos próprios patrocinadores e/ou parceiros;
  • São distribuídas canecas duráveis ou copos retráteis para consumo de água, que é disponibilizada através de galões retornáveis;
  • São disponibilizados convites para as cooperativas/associações de catadores participarem do evento e participação de palestrantes das redes locais ligadas ao Movimento Nacional dos Catadores;
  • O transporte até o local do evento é / será feito através do TRENSURB e a secretaria do evento disponibilizará ônibus para fazer a integração estação-universidade;
  • É feita a compensação do carbono emitido em função da realização do evento;
  • A escolha do local é vinculada à existência de gestão ambiental e/ou certificação. Por exemplo: a edição anterior foi realizada nas instalações do MP-RS, por estar em conformidade com os critérios socioambientais estabelecidos pelo evento, bem como para esta edição, a escolha das instalações da UNISINOS se deve a esta ter certificação ISO 14:000.

Resultados alcançados

Disseminação de informações para o desenvolvimento sustentável (ações de comunicação voltadas para a discussão do modelo e dos papéis de cada um na busca do desenvolvimento sustentável).

Fortalecimento de Redes e Organizações Sociais (fortalecimento de organizações sociais e à interação entre os agentes sociais, públicos e privados, para a formação de parcerias e alianças, troca de experiências, produção de conhecimento, formulação e debate sobre políticas públicas)

Fortalecimento das Organizações Ambientais e de suas redes (criação de um espaço de aprendizagem e conhecimento que permita socializar os saberes, levando conhecimentos de um contexto local a um contexto regional ou mesmo global)

Relatório de Atividades do 4.º Forum Internacional de Resíduos Sólidos em Porto Alegre

O 4.º FIRS – Fórum Internacional de Resíduos Sólidos transcorreu de 22 a 24 de julho em Porto Alegre. Os trabalhos desenvolveram-se na sede do Ministério Público Estadual, no auditório Mondercil Paulo de Morais.

O FIRS, cujas edições anteriores foram em 2007, 2009 e 2011, já está consolidado com o mais importante evento científico nacional a tratar da questão dos resíduos sólidos. Manteve nesta sua quarta edição o mesmo nível de excelência das edições anteriores.

Mais uma vez mostrou-se como um espaço que abarca desde estudos e pesquisas acadêmicas até posições governamentais, não descuidando dos interesses da iniciativa privada, nacional como internacional.

O evento foi realizado pelo Instituto Venturi Para Estudos Ambientais, em parceria com a UnB – Universidade de Brasília, por meio do LACIS – Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade.

Patrocínios: Petrobrás e Celulose Riograndense Co-Patrocínio: BRDE Apoio: Apliquim Brasil Recicle Apoio Institucional: Ministério Público Estadual; Ecojus-TJRS; Unisinos; ABLP; Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais e Banco de Resíduos Fiergs; Comitê Ambiental do CIEE-RS; Dype; Grafiset; 9DEA Produto Sinalização; Porto Alegre Convention e Visitors Bureau.

Visão Pública

A visão governamental foi apresentada através da participação de representantes do Ministério do Meio Ambiente, enquanto que juízes e um membro do Ministério Público abordaram sua ótica do fenômeno da geração, manejo e destinação de resíduos, em especial no contexto da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Assim, o Ministério do Meio Ambiente fez-se representar pela Dra. Ana Carla de Almeida. Além de realizar no âmbito do Forum reuniões preparatórias para a conferência livre, com o objetivo de coletar proposições para a 4ª. Conferência Nacional de Meio Ambiente que acontecerá ainda neste ano em Brasília, abordou importantes questões referentes às políticas governamentais para a área dos resíduos.

As implicações jurídicas da PNRS nas esferas cível, criminal e administrativa foram expostas por diversos operadores de direito: Dr. Roberto Maia Filho Juiz de Direito em São Paulo e professor da Escola Paulista da Magistratura (EPM); Drª. Vera Lucia Fristch Feijó Juíza de Direito em Porto Alegre e professora da Escola Superior da Magistratura da AJURIS; Drª. Patricia Laydner Juíza de Direito e Coordenadora do Sistema de Gestão Ambiental do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (SGA-Jus) e pelo Dr. Carlos Paganella – Promotor de Justiça e Coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente – CAOMA/MPRS.

Os trabalhos desse painel foram coordenados pelo professor Sérgio Pessôa Ribeiro, advogado, jornalista, consultor ambiental e assessor jurídico do Instituto Venturi, que também fez uma exposição sobre a PNMA.

Integração das visões Pública e Privada

No exame da relação entre políticas públicas e iniciativa privada, não foram descuidados aspectos como a obtenção dos recursos financeiros para infraestrutura e negócios de reciclagem. O economista Eduardo Grijó, do BRDE, mostrou com muita propriedade o panorama atual dos recursos disponíveis para investimentos nessa área, bem como foram apontados algumas possibilidades de se construir com outras instituições públicas financeiras e de fomento fundos mais diferenciados para os negócios de reciclagem. O público presente provocou muitas questões, principalmente no que tange às garantias.

Na mesma linha, o painel “Cenário atual e desafios da Limpeza Pública no Brasil” abordou temas de interesse comum a todas as partes, enfocando os resíduos sólidos urbanos e sistemas de coleta.

Teve destaque a participação de Boanésio Carlos Ribeiro, diretor da URBAM, de São José dos Campos. Falou sobre os principais desafios dos pequenos e médios municípios no cumprimento das PNRS. Ofereceu sugestões sobre o que os gestores públicos municipais devem fazer para se adequar à Lei 12. 305/2010 e transformar os seus municípios em um modelo de gestão sustentável e como arcar com tais custos.

Biomassa Agrícola no Mundo

Também os resíduos de biomassa agrícola e coproduto tiveram espaço do Forum. O uso de resíduos da agricultura para a geração de energia, as tecnologias de conversão da biomassa agrícola em energia e o biocombustível sustentável foram temas dos painelistas Surya Prakash Chandak,que é Oficial de Programa Sênior da UNEP e Lead Member UNEP IETC for Waste Agricultural Biomass; professora-doutora Áurea Nardelli, Diretora Regional para negócios na América do Sul da Global Sustainability Standard e Certification System for biofuel production e Gustavo Duciak, engenheiro da APS Engenharia de Energia.

Como coordenadora e debatedora dos trabalhos desse painel participou a bióloga Arlinda Cézar, professora de Fundamentos do Planejamento Ambiental e Presidente do Instituto Venturi.

Visão Acadêmica e Social

Ciclo de Vida & Obsolescência Programada

A visão acadêmica apresentou-se já na abertura dos trabalhos do Forum Internacional, através da palavra da Dra. Lúcia Helena Xavier, professora-pesquisadora na Fundação Joaquim Nabuco e PhD em Gestão Ambiental pela USP. A pesquisadora abordou o tema da obsolescência programada e suas implicações não só ambientais como econômicas e sociais.

Responsabilidade Social

Diversos temas de interesse tanto acadêmico como social integraram um painel intitulado “Mobilização Social, Educação e Capacitação”.

Nesse painel, Francisco Luiz Biazini Filho, da Rede Resíduo; Alessandra Hernandes, Pesquisadora na Rede de Tecnologias Limpas da Bahia – TECLIM e Gerenciamento de Resíduos da UNISINOS; Alexandro Cardoso, integrante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis e Ana Carla de Almeida, do Ministério do Meio Ambiente, abordaram temas como o compartilhamento da responsabilidade com a sociedade e, ainda, a integração dos catadores de materiais recicláveis ao novo sistema de gestão de resíduos dos municípios. Também foram enfrentados os diversos aspectos da capacitação de mão de obra para o mercado de reciclagem e a educação para o consumo sustentável.

Cenário Internacional

Experiências internacionais em reciclagem e recuperação de materiais e energia foram abordadas por José Ramón Carbajosa,Presidente do WEEE Forum e Diretor da Ecolec, da Espanha; Chiaki Kobayashi, representante da JICA – Agência de Cooperação Internacional do Japão e Flávio Arantes Matos, engenheiro da Divisão de Meio Ambiental da CNIN – França.

Tanto a apresentação como os debates dessa parte internacional foram coordenados pelo professor Carlos Alberto Mendes Moraes, Decano da Escola Politécnica – UNISINOS e professor Titular e Coordenador na graduação em Engenharia Ambiental da mesma Universidade.

A gestão dos resíduos eletroeletrônicos teve especial ênfase nas preocupações dos palestrantes, que ofereceram um panorama detalhado da situação européia na questão e as soluções encontradas.

Casos de Sucesso

Também os relatos de experiências bem sucedidas com resíduos nas diversas áreas tiveram espaço no 4FIRS.

A Petrobras apresentou três projetos por ela patrocinados junto a comunidades populares, todos envolvendo educação ambiental, capacitação de mão-de-obra e resgate social através do manejo de resíduos sólidos.

A Escola Politécnica da Unisinos apresentou caso intitulado “Visão ambiental da pesquisa cientifica em resíduos sólidos como coprodutos para a construção civil”. O resultado desse trabalho apresenta diversas possibilidades para a área empresarial e industrial.

Luis Eduardo Salvatore, Diretor de Projetos do Instituto Brasil Solidário – Educação e Desenvolvimento Sustentável apresentou o caso “Amigos do Planeta – CB, Amigos do Planeta na Escola – IBS e os planos e desafios de coleta escolar”. Trabalho de grande relevância e para municípios com baixo IDH, apresentando excelentes resultados.

Importante caso envolvendo resíduos de saúde foi apresentado por Marcos Moruci Ferreira e Juliana Gonçalves Neves, da Nativitta, sob o título “Gestão integrada dos Resíduos de Saúde: Programa de valorização de recicláveis e geração de renda”. Os painelistas abordaram não apenas as questões técnicas, mas também os diversos aspectos do mercado frente à PNRS.

Logística reversa

“Desafios e Oportunidades da Logística Reversa como instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos” foi o painel que abordou a situação dos acordos setoriais para implantação da logística reversa e as propostas apresentadas pelo setor de eletroeletrônico e pelo setor de lâmpadas.

Esse painel contou como painelistas com muita experiência na área e os mais bem informados sobre os Acordos Setoriais – André Luis Saraiva, Diretor de Responsabilidade Socioambiental da Associação Brasileira da Indústria de Eletroeletrônicos – ABINEE e Mário Guilherme Sebben, Diretor Presidente da Apliquim Brasil Recicle e Membro integrante do GTT de Lâmpadas.

Os trabalhos do painel foram coordenados pela professora Patrícia Guarnieri, professora da Universidade de Brasília (UnB) e autora do livro “Logística reversa: em busca do equilíbrio econômico e ambiental”.

A Academia

A parte final do 4FIRS foi inteiramente dedicada a atividades de caráter acadêmico. Parte dos trabalhos científicos oferecidos foi exibida no espaço do Forum sob a forma de pôsteres, enquanto que quatro trabalhos foram selecionados para apresentação oral.

A comissão que selecionou os trabalhos para pôsteres e para apresentação oral foi composta pela Profª. Drª. Feliciane Andrade Brehm, da Unisinos – Universidade do vale do Rio dos Sinos; Profª. Drª. Maria Vitória Ferrari Tomé – da UnB – Universidade de Brasília e pela Profª. Drª. Patrícia Guarnieri, também da UnB.

Os trabalhos selecionados para apresentação oral foram:

Aplicação do Reagente de Fenton em Lixiviado de Aterro Sanitário Tratado Biologicamente Visando a Remoção de Matéria Orgânica Recalcitrante – RODRIGUES, Caio Victor Lourenço; LOPES, Deize Dias.

Caracterização de Soquetes de Lâmpadas Fluorescentes Compactas – DOS SANTOS, Emanuele Caroline Araujo; PICOLI, Rita Catarina Flores; CALHEIRO, Daiane; MARQUES, André C.; MORAES, Carlos Alberto Mendes.

Subsídios para Análise de Ciclo de Vida em Cabos de Telecomunicações – SILVEIRA, Sirney; COMAR, Regina G.; SILVA, Roberto P.B.; MARTINIANO Thaliane e OMETTO, Aldo.

Diagnóstico da Geração Resíduos Sólidos na Unioeste, Campus de Toledo/PR – SILVA, Dyessica Thais Alvarenga dos Reis da; SILVA, Diani Fernanda da; MOREJON, Camilo Freddy Mendonza.

Público

O público que prestigiou o 4FIRS formou-se de profissionais como biólogos, engenheiros químicos, agronômicos e de materiais. Também advogados e gestores públicos estiveram presentes, assim como empresários em atividades ligadas à gestão de resíduos sólidos. O espaço da academia formou-se com a presença de pesquisadores e acadêmicos.

Em números foram 169 inscrições espontâneas, 74 inscrições por convites e 38 painelistas. Totalizando 281 participantes.

A cobertura nacional superou as edições anteriores, com participantes dos estados do Acre, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e do Distrito Federal (DF).

Avaliação do 4FIRS

Objetivos Alcançados

Já na sua primeira edição, em 2007, o Fórum Internacional de Resíduos Sólidos manifestava-se como um evento em busca de contribuir com a empresa, poder público e sociedade como um todo no equacionamento das questões relacionadas com os resíduos sólidos.

Na presente edição, 2013, o 4º Forum Internacional de Resíduos Sólidos, a par de dar continuidade às discussões sobre o tema resíduos sólidos, pautou-se pela Responsabilidade Compartilhada, aproximando os diversos atores – Ministério Público, Governos, Pesquisadores, Empresas, Serviços de Limpeza Pública, Catadores de material reciclável e Consumidores – cujas ações doravante determinarão o sucesso da implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, bem assim, o cumprimento das metas do Plano Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS.

Com esse propósito, o 4FIRS alcança plenamente os seus objetivos, contribuindo para a criação de um espaço para a troca de conhecimentos e experiências, bem como ao estímulo para o estabelecimento de um mercado de reciclagem e recuperação de resíduos, transformando estes em valor e incorporando a difusão de políticas e programas que promovam relações comerciais sustentáveis.

A importância da sua continuidade não deixa dúvidas, impondo aos organizadores que o FIRS passe a ser um evento anual já a partir desta edição. O novo modelo manterá as edições em anos ímpares em Porto Alegre (RS), com 3 dias de duração, e nos anos pares edições itinerantes, com 2 dias de duração, contemplando temas mais específicos. A cidade de Natal (RN) já se candidatou a sediar a próxima edição e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte estará incumbido da coordenação acadêmica para avaliação dos trabalhos científicos.

Relatório de Atividades do 3.º Forum Internacional de Resíduos Sólidos em Porto Alegre

Com a terceira edição, o Forum Internacional de Resíduos Sólidos consolidou-se como fonte credenciada na divulgação, tanto de produção científica, como de novas técnicas e de projetos empresariais. Pode ser dito que, sem favor algum, é o evento de maior expressão brasileira em se tratando do tema resíduos sólidos, com as mais altas expressões acadêmicas e empresariais se fazendo presentes.

Um ponto de destaque nessa edição é que o consumidor esteve no centro das críticas e discussões, enquanto que nas edições anteriores todas as mazelas eram atribuídas aos governos. Apontando assim, a importância do Forum na formação da consciência crítica do cidadão responsável, enquanto consumidor e parte integrante da cadeia de geração de resíduos sólidos. Sendo assim, sem a participação do consumidor no processo de destinação correta destes resíduos, a chance de sucesso de implementação da logística reversa é muito pequena.

Importa notar, ainda, que desde o Painel que tratou dos Aspectos Jurídicos e Operacionais da Política Nacional de Resíduos Sólidos até o tema Sustentabilidade Humana nas Cidades, o público presente era alertado de que nós, consumidores, somos a razão da existência do mercado produtivo e, por consequência, os resíduos só são gerados porque demandamos o consumo atual, sem nos preocuparmos com sua forma de produção. Ficava aí um chamamento para o consumo consciente e, principalmente, para a noção de que a verdadeira inclusão social só se dará com o fim da cultura do desperdício.

O 3.º Forum Internacional de Resíduos Sólidos compôs-se de palestras, sob a forma de conferências e de painéis, entremeados de intervalo – “café e prosa” – tendo, ao final, espaço reservado a questionamentos por parte do público aos palestrantes; apresentações de trabalhos científicos; pôsteres; exposição de casos; debates e sorteio de bolsas de estudos, tendo todas as atividades, por diferentes aspectos, abordado um tema em comum que são os resíduos sólidos e a questão ambiental.

Os palestrantes e convidados que participaram do evento constituem-se em selecionado grupo de autoridades acadêmicas e científicas, nas suas respectivas áreas, conforme consta da programação reproduzida nesta peça, além de empresários e representantes de empresas com destacada atividade na área dos resíduos sólidos.

O público compunha-se, basicamente, de profissionais de áreas relacionadas com o meio ambiente e gestão pública, tais como biólogos, engenheiros químicos, agronômicos e de materiais, advogados, gestores públicos e empresários em atividades ligadas à gestão de resíduos sólidos. Também pesquisadores e acadêmicos marcaram presença.

No salão de entrada do evento houve uma exposição com estandes de entidades e empresas de produtos reciclados, logística reversa, reciclagem, recuperação e tratamento de resíduos e que trabalham com atividades sociais.

Também foram apresentados no mesmo local os pôsteres referentes aos trabalhos científicos que foram avaliados pela Comissão Científica para publicação nos Anais do Forum.

O encerramento dos trabalhos esteve a cargo da Profa. Arlinda Cezar, Coordenadora do Evento e Diretora do Instituto Venturi e do Secretário de Meio Ambiente de Cachoeirinha, David Cafrune. Palavras finais e agradecimentos a cargo do Prof. Sérgio Pessoa Ribeiro, Presidente do Instituto Venturi.

O Forum Internacional de Resíduos Sólidos, segundo seus organizadores, teve seus objetivos atendidos plenamente, conforme segue: contribuir para um melhor gerenciamento integrado de resíduos sólidos no setor privado, municípios e prestadores de serviços de limpeza urbana, visto como aspecto-chave das questões de meio ambiente e saúde pública; promover um espaço onde as diversas partes interessadas da cadeia de gerenciamento de resíduos sólidos possam fomentar seus projetos e estabelecer novos negócios; demonstrar a viabilidade de montagem de estandes com materiais reciclados, através de uma mostra de empresas de reciclagem e tratamento de resíduos; promover a publicação de trabalhos científicos, fundamental para a inovação na busca de soluções para as questões socioambientais; difundir e aprofundar conhecimentos que abordem as causas da existência dos resíduos sólidos, provocando uma reflexão, que leve a uma consciência das suas conseqüências para a relação sociedade-natureza, histórica e socialmente construída.
Saiba mais…

Relatório de Atividades do 2.º Forum Internacional de Resíduos Sólidos em Porto Alegre

O Forum, já em sua segunda edição, de 8 a 10 de julho de 2009, consolidou-se como o evento científico mais importante da região no tema dos resíduos sólidos, apresentando uma visão ampla do assunto, que abrangeu desde estudos acadêmicos até a visão governamental e empresarial. Na solenidade de abertura do Fórum, com a execução do Hino nacional Brasileiro, entre outras autoridades, estiveram presentes Dr. Surya Prakash Chandak, da UNEP; Tito Lívio Goron, Presidente do Banco de Resíduos da Fiergs; José Zortéa, diretor regional do SENAI; vereador Beto Moesch, representando a Câmara Municipal de Porto Alegre; Berfran Rosado, Secretário Estadual do Meio Ambiente; Sérgio Pessoa Ribeiro, Presidente do Instituto Venturi; prof. Garcia, Secretário Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre; Tarcísio Zimermann, Prefeito de Novo Hamburgo.

Secretário do Meio Ambiente Destaca a Importância do Fórum Internacional de Resíduos Sólidos

Falando para um público composto, basicamente, de profissionais de áreas relacionadas com o meio ambiente e gestão pública, o Deputado Berfran Rosado, Secretário Estadual do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, que por sua formação é engenheiro civil com pós-graduação na área ambiental, destacou o papel de eventos como o Fórum e sua importante contribuição na busca de soluções para as questões ambientais. Os trabalhos pautaram-se na Política Nacional de Meio Ambiente, nas políticas de Educação Ambiental, de Recursos Hídricos, de Saneamento Básico, de Saúde e as que possam promover a Inclusão Social. Especial atenção foi dada ao andamento da futura PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Cientista Russo Elogia a Qualidade dos Trabalhos Científicos Apresentados no Fórum

Foram apresentados inicialmente seis trabalhos acadêmicos previamente selecionados pela comissão científica. O início das apresentações coube a Carmenlúcia Santos, engenheira Química, mestre e doutora em Ciências da Engenharia Ambiental, com o trabalho intitulado “Avaliação da Estrutura e Organização das Cooperativas de Reciclagem de Resíduos Urbanos no Município de Campinas – SP” Dr. Vesévolod Mymryne ouviu atentamente os trabalhos apresentados. Destacou o empenho dos autores e os bons resultados obtidos. “Estão atentos às realidades locais”, disse ainda. Vesévolod é russo e residente no Brasil há 9 anos, lecionando na Universidade federal do Paraná. Doutor das Ciências (D.Sc.) e Ph.D. na Engenharia Geológica e Ambiental, Mestre em Cristaloquímica na Universidade Federal Lomonosow de Moscou (MGU), membro da equipe vencedora do Prêmio Nobel de Física em 1964 pelo descobrimento do Raio Laser (1964). Fez três exposições ao longo do Fórum Internacional de Resíduos, a primeira abordando a utilização de resíduos de construção e demolição na produção de tijolos, sem queima e sem cimento Portland; a segunda discorrendo sobre o aproveitamento de lodo de ETEs- estações de tratamento de esgotos e ETAs – estações de tratamento de água. Sua última exposição tratou do passivo ambiental gerado pelo amianto.

Diretor da UNEP faz, no Forum, a Apresentação do Plano De Gerenciamento Integrado De Resíduos Sólidos para a Cidade de Novo Hamburgo

A cidade gaúcha de Novo Hamburgo é a primeira na América a contar com um Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos com a metodologia da UNEP – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Dr. Surya Chandak, indiano, mas exercendo a diretoria da UNEP no Japão, ressaltou a importância e as vantagens para a cidade de Novo Hamburgo no uso da metodologia da UNEP para o gerenciamento integrado de seus resíduos sólidos. O trabalho contou com a colaboração de dez alunos do Curso de Pós-Graduação em Planejamento Ambiental, ministrado pelo Instituto Venturi em parceria com a FACOS – Faculdade Cenecista de Osório, sob a coordenação da profa. Arlinda Cézar e supervisão direta da UNEP, cujos integrantes vieram periodicamente a Novo Hamburgo para ouvir a comunidade e ministrar cursos e oficinas à equipe de alunos, professores e técnicos do governo local. Os resultados das pesquisas e elaborações de instrumentos foram estreitamente acompanhados por meio da internet. O prefeito de Novo Hamburgo Tarcísio Zimmermann agradeceu o empenho dos alunos, Instituto Venturi e do organismo internacional, manifestando sua firme determinação em implantar projetos adequados ao Plano para um Sistema Integrado de Gerenciamento de Resíduos, que, por suas qualidades e metas de curto, médio e longo prazos, trará significativos ganhos em termos de inserção social para comunidades carentes, estabilidade econômica para a atividade industrial e comercial, maiores padrões de segurança em termos de saúde pública e melhor qualidade de vida para a população como um todo.

Relatório de Atividades do 1.º Forum Internacional De Resíduos Sólidos no RS

No período de 17 a 19 de maio de 2007 o Instituto Venturi para Estudos Ambientais promoveu o 1.º Fórum Internacional de Resíduos Sólidos, no salão de eventos da FIERGS, em Porto Alegre, que contou com expressões mundiais na questão ambiental.

Universalidade

Os organizadores do Forum tinham uma dúvida inicial para montar o evento, não sabendo se deveriam privilegiar os debates ou optar pela diversificação, mostrando as diversas áreas da economia e do pensamento que envolvem os resíduos sólidos. “Como este foi o primeiro fórum, optamos por um panorama com a maior universalidade possível sobre o que está acontecendo no mundo em termos do manejo da questão dos resíduos sólidos” , declarou a bióloga Arlinda Cézar, Diretora Técnica do Instituto Venturi e coordenadora do Forum, “ o que não descarta a possibilidade de, em outro momento, contemplarmos o aprofundamento de temas específicos, possibilitando, inclusive, maior participação do público.”

Pluralidade

O Forum transcorreu com uma sucessão de painéis, conferências, oficinas e apresentações de trabalhos, tendo sido estes previamente analisados por uma comissão científica. “Nas diversas apresentações, procuramos unir desde a visão técnica e econômica, como no caso de Carlos Weinschenck de Faria, que é economista e Diretor-Presidente da SIL Soluções Ambientais Ltda., que falou sobre a mineração de carvão integrada à destinação final de resíduos sólidos no Rio Grande do Sul , à visão mais humanista, como a da Dra. Naná Minnini Medina, Diretora da Fundação Universitária Iberoamericana” prossegue Arlinda. “ Depois que ela falou sobre a educação ambiental como promotora de mudanças de comportamento , as pessoas paravam os organizadores do evento pelos corredores para dizer que só aquela palestra já teria valido à pena terem atravessado o país para participarem do fórum.”

Envolvimento

O professor doutor João Tinoco Pereira Neto, da Universidade Federal de Viçosa, MG, engenheiro e teólogo, que há anos não mais aceita convites para participar de eventos, abriu uma exceção e concordou em proferir palestra sobre a Gestão de Resíduos Sólidos em Municípios de Pequeno Porte. Ao concluir sua palestra, diante do envolvimento da platéia e da quantidade de questionamentos, falou: “Há muito tempo eu havia desistido desse tipo de evento, pois não via a possibilidade de promover qualquer mudança através deles. Mas para este estou pronto para participar da segunda edição. Este encontro prova que se pode, sim , fazer as coisas acontecerem.”

Representante da ONU

O Dr. Surya Prakash Chandak , cientista indiano que dirige o International Environmental Technology Centre, da Divisão de Tecnologia, Indústria e Economia, do Programa Ambiental das Nações Unidas no Japão, palestrou sobre o Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos: Porquê, o Quê e Como?. Expressando-se em inglês fluente, com tradução simultânea e bem cuidada apresentação visual, conseguiu abordar de forma bem humorada e acessível temas de razoável complexidade, tendo cativado a platéia.

Política Européia para Resíduos

O mesmo aconteceu com Jacques David, diretor geral da SCRELEC, na França, fundador e Presidente Honorário da Associação Européia de Reciclagem de Baterias. Embora francês, fez sua palestra em inglês, com tradução simultânea, abordando a questão do que fazer com as baterias e pilhas descartadas pelo usuário final e as políticas adotadas pela Comunidade Européia para o tema.