Fórum Internacional Socioecossistema Urbano em Debate


1 Fórum Internacional Socioecossistema Urbano em Debate

QUANDO UM PLANETA SÓ NÃO BASTA, O QUE FAZER ?

O I Fórum Internacional Socioecossistema Urbano em Debate aconteceu nos dias 22 e 23, no átrio do Santander Cultural, em Porto Alegre e debateu o uso sustentável das cidades.

O Fórum

Durante a cerimônia de abertura os presentes foram saudados pelo vereador Beto Moesch, que compareceu representando a Câmara de Vereadores da Capital e tem longo compromisso com as questões ambientais, tendo sido secretário municipal do meio ambiente.

O Fórum foi realizado pelo Instituto Venturi para Estudos Ambientais, com o patrocínio do Instituto Aracruz e o apoio institucional do Instituto Santander Cultural. Participaram como palestrantes e debatedores Naná Mininni Medina, João Bosco Ladislau de Andrade, Enrique Leff e Elisabeth Conceição de Oliveira Santos, todos autoridades acadêmicas.

Os Palestrantes

Naná Mininni Medina, uruguaia, é mestra e doutora em educação. Foi uma das introdutoras da educação ambiental nos currículos escolares brasileiros. Atualmente é diretora para o Brasil e também para o Uruguai da Fundação Universitária Iberoamericana, que tem sua sede na Espanha.

João Bosco Ladislau de Andrade é Licenciado em Ciências, engenheiro civil, Mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental e Doutor em Hidráulica e Saneamento na ESC/USP. Professor no Departamento de Engenharia Civil do Instituto de Tecnologia da Amazônia – UTAM. Já foi consultor da Prefeitura Municipal de Manaus e da Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, tendo, ainda realizado trabalhos para a Organização das Nações Unidas.”

Enrique Leff é doutor em Economia do Desenvolvimento pela Sorbonne, em Paris. Coordena a Rede de Formação Ambiental para a América Latina e o Caribe, do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Leff também é professor universitário lecionando Ecologia Política e Políticas Ambientais na Universidade Nacional Autônoma do México – UNAM.

Elizabeth da Conceição Santos é Doutora em Educação e Especialista em Educação Ambiental – Professora da Universidade do Estado do Amazonas, Brasil. Autora de diversas obras na área da educação.

Crise de Paradigma

Naná Mininni Medina, falou sobre a importância da Educação Ambiental como promotora de mudanças de comportamento. Para ela, “o mundo atual vive uma crise de paradigma.” Prossegue dizendo que existe “uma despreocupação com a construção do Ser, da essência humana, a favor do Ter, como posse de bens materiais, símbolos de status, e uma diminuição da autonomia no “fazer” moral dos sujeitos sociais.” No entanto, ressalva que aspectos positivos também podem ser vistos, como o enfrentamento de uma nova ética socioambiental

Em sua palestra inaugural dos trabalhos do Fórum, reforçou a idéia de mostrar-se “necessário um exercício coletivo de redimensionamento ético, sobre as modalidades de pensamento e ação, pelas quais interpretamos e agimos em relação ao ambiente complexo que nos rodeia, e aos conflitos de interesses, nele presente”.

Para Naná, “Educação e Ética, são as duas faces da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável.” e continua : “Não existe Responsabilidade Social sem o paralelo da Responsabilidade Ambiental. daí a responsabilidade socioambiental e a designação ‘socioecossistema urbano’.”

Crise Civilizatória

Para Enrique Leff, que propôs o tema sobre em que princípios se funda um saber e uma racionalidade ambiental, “há que se fazer uma reflexão teórica, ética e política sobre o nosso habitat, que se traduz em uma reflexão crítica sobre a vida urbana e os processos que geraram essa situação extrema.”

Prosseguiu afirmando que “a crise ambiental, em razão de seus impactos, nos toca em muitos sentidos e a mudança do clima é apenas um deles.”

Afirma que “o processo civilizatório estabeleceu-se em bases frágeis, na busca de um progresso sem limites que está a afetar a própria condição de vida”. Esclarece que não está falando apenas de uma crise econômica, cíclica : “ é uma crise civilizatória, que pode ser definida como crise ambiental.”

Quando o Mundo não era Imundo

“De quando o mundo não era imundo a um outro modo de olhar e ver a amazônia: uma abordagem pela perspectiva dos resíduos sólidos “ foi a abordagem proposta por João Bosco, que além de sua titulação e atividade acadêmica, é artista plástico e poeta.

Para Bosco, tanto as cidades como suas realidades são metáforas e, nessa visão, a Amazônia carece de maior revelação, com vistas ao seu conhecimento e de sua história, pois “ sem a perspectiva da história repetem-se erros que significam a condenação.”

Como referência das questões propostas, João Bosco partiu da visão de Fustel de Coulanges, exposta na obra “A Cidade Antiga”, do século XIX, sobre o conceito de “mundus” como local de purificação e síntese do universo : “imundo é o que não pode ser caracterizado como mundus”. Segundo ele, o progresso associado à produção de resíduos é uma constante ao longo da história, provocando um desequilíbrio ambiental.

 

Formação Participativa

Elizabeth Santos falou sobre os “Desafios na formação de multiplicadores em Educação Ambiental, formal e não formal”. Ressaltou a necessidade de articulação entre a universidade e a sociedade em prol da questão ambiental. “Os valores do ensino devem envolver uma metodologia participativa em sua formação e isso só pode ser possível com uma visão clara do educador sobre o tema.”

 

Visita à Vivência Pedagógica e 3D

Os palestrantes visitaram a vivência pedagógica “A Cidade, a Natureza e o Cidadão”, promovida pelo Instituto Venturi no mesmo espaço do Santander Cultural. Enrique Leff e Naná Mininni Medina ficaram bastante impressionados com o trabalho e sugeriram que o mesmo poderia ser levado, de forma itinerante, a outras comunidades e não ficasse restrito a Porto Alegre.

Aprovaram as peças artísticas, criadas por arquitetos e artistas plásticos e examinaram detidamente a maquete urbana, toda ela projetada e construída a partir de materiais descartados, achados nas ruas da cidade.

Assistiram a um filme sobre temática ambiental, com exibição em 3.ª Dimensão e visitaram o espaço em que é feito o cálculo da pegada ecológica de cada visitante.